André Brun, “O Príncipe dos Humoristas Portugueses” por Célia Baixinho
Hoje tão esquecido, André Brun, foi considerado um dos mais conhecidos escritores do início do século XX.
Português, de origem francesa, nasceu em Lisboa, a 9 de maio de 1881 e faleceu, cedo demais, a 22 de dezembro de 1926. A sua obra é vastíssima, com algumas dezenas de livros. O seu trabalho literário reparte-se entre o teatro e a crónica. A sua escrita, inovadora em Portugal para a época, tinha um carácter humorístico, alegre, de grande importância na aquisição de conhecimentos sobre a vida da burguesia lisboeta. A colaboração assídua, em várias publicações periódicas, onde escreveu muitas vezes sob o nome de vários pseudónimos, tornaram possível a imortalização das suas crónicas. Em 1925, participou na fundação da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses que, mais tarde em 1970, passaria a designar-se por SPA – Sociedade Portuguesa de Autores. Evidenciou-se, igualmente, com textos ligados à vida militar, por ter seguido este tipo de carreira. A obra que mais se destaca nesta área é “A Malta das Trincheiras”, uma narrativa sobre a condição humana em tempos de terror, escrita com uma enorme sensibilidade, sobre a sua experiência na I Guerra Mundial, abordando um assunto extremamente trágico com humanidade e respeito.
No teatro, destacou-se pelas suas comédias e números de teatro de revista. Os textos mais conhecidos, talvez sejam, “A Vizinha do Lado”, de 1913, adaptada ao cinema por António Lopes Ribeiro e também realizada por este em 1945, e “A Maluquinha de Arroios”, de 1916, igualmente adaptada ao cinema por Alice Ogando, sua esposa, para o filme homónimo de Henrique Campos, em 1970.
As suas histórias têm uma construção dramática inserida num ambiente burguês, absurdas, cheias de non sense aproximando-se ao que viria a ser o teatro do absurdo. As personagens vivem situações disparatadas num ritmo crescente, com graça, terminando sempre com contentamento e boa resolução. É o caso de “Meu Marido que Deus Haja” e “A Criada do Tavares”, duas peças bem divertidas, centradas nos problemas triviais da pequena burguesia da vida de Lisboa.
É muito compensador visitar a obra de André Brun e descobrir os textos que marcaram uma época teatral e voltar a rir com as peripécias das suas figuras engraçadas. É uma homenagem que o Teatro União deseja fazer a um dos mais alegres e populares dramaturgos portugueses.
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