O Camarim - Por Bárbara Rita Santos
“Talvez tu não saibas,
Mas é sempre assim
É no Camarim
Que o Teatro começa.
Depois de estar contigo
E chegar ao fim
É ao Camarim
Que regressa.
Talvez tu não saibas
Mas vou-te dizer como é bom fazer toda esta aventura,
Chamar-te de amigo sem te conhecer,
Dar-te e receber lições de ternura.
Quando o Teatro vem, toda a gente tem um ar de festa
E essa alegria podes crer é magia que se manifesta,
É um mundo luzente, onde toda a gente gostava de ter um lugar.
É o sonho que prende e nos torna diferente da gente vulgar.
Teatro é assim como um trampolim para dar o salto
É ter a ousadia num passo de alquimia, voar mais alto, chegar ao infinito
E não ficar aflito que tudo possa acabar… Porque sabe que no fim…
Volta sempre ao camarim para depois recomeçar.”
Luís Aleluia
O Camarim… a magia do camarim. Para quem vive esta arte de vivências, de experiências,
sente que o camarim é o local onde tudo começa.
É no camarim que começa a preparação de uma personagem. Onde o ator despe a sua
vulnerabilidade, da sua fragilidade, da sua vontade, para vestir a pele de um outro. Ao vestir-se
de outro, sente na sua própria pele, a dor, o amor, a emoção e o sentir daquele que vai
representar.
Durante um espetáculo, o ator deixa de ser ele próprio, para encarnar as mais diversas
experiências de vida. Para sentir a vida daquele que tem que criar.
Vive toda a apoteose de um momento, a eterna experiência de um ato.
Mas no fim… Após os aplausos que alimentam a alma, após sentir as luzes que aquecem o
corpo… Todo o ator, regressa sempre ao camarim. É no camarim que regressa a si próprio e
deixa a personagem a descansar.
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