Membros do Teatro União - Marta Rodriguez

Sou metade portuguesa, metade cubana, dizem as minhas origens. Mas, na verdade, eu sou do mundo. Amo viajar, conhecer novos lugares e novas culturas, e fazer de cada canto do mundo a minha morada. Ainda assim, não há nada como voltar a Sintra e me sentir, mais uma vez, em casa. Resultado? Não aguento ficar muito tempo no mesmo sítio, mas ao mesmo tempo adoro uma rotina. Confuso? Talvez. Mas, acredito no poder de viver novas experiências e na necessidade de assentar durante um tempo para as aplicar à minha realidade. Além disso, sempre acreditei que uma das palavras-chave na vida é “evolução”. O mundo não para de evoluir e, também nós, seres humanos, temos de o acompanhar, procurando aperfeiçoar os nossos conhecimentos. Falo espanhol e inglês, estudo alemão, comecei a estudar mandarim (de forma autónoma), e já estou a pensar no próximo idioma que quero aprender. Inclusive, até hoje, só consigo organizar o meu tempo se tiver muitas atividades com as quais me ocupar, por isso ganhei o nome Marta “multifunções”. Fiz dança, ginástica acrobática, e fui atleta de patinagem artística durante 15 anos. Aos 10 anos de idade tive o meu primeiro contacto com o mundo da representação e logo me apaixonei. Então, em 2016, à patinagem artística, acrescentei o teatro e juntei-me à família do Teatro União; e em 2018 adicionei o jornalismo à minha rotina. Fiz parte da ESCS FM – a rádio da faculdade –, escrevi para o jornal 8ª Colina, e sou uma das cofundadoras do núcleo académico “ESCS mais Limpa”, que visa tornar a Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) ambientalmente mais consciente. Em 2021, contra o tempo e contra a Covid-19, licenciei-me e, rapidamente, não resisti em me matricular no mestrado de Gestão Estratégica das Relações Públicas, na mesma faculdade – a ESCS. Claramente, mais uma vez, a minha sede por novas aprendizagens, vivências, e por ter planos A, B e C para a vida a falar. Pelo caminho, juntei-me a um projeto, o “Generation Europe”, que me levou a participar de vários intercâmbios; que me trouxe as melhores experiências internacionais que tive até ao momento; que me levou a conhecer pessoas em todos os cantos da Europa; e que me trouxe o meu primeiro trabalho – um trabalho que me deixa aplicar as minhas competências de comunicação, que me coloca constantemente em contacto com jovens adolescentes, e que me desafia a entender os diferentes contextos e as diferentes dificuldades e necessidades desses jovens, proporcionando- me uma oportunidade para fazer a diferença na vida deles. O stress por levar uma vida repleta de atividades? Recorrente e inevitável. Mas, a satisfação a cada conquista? Gratificante e memorável. Por vezes, bate aquele sentimento de que estou sempre a desviar-me do caminho que eu quero para mim, o que muitas vezes me leva a pensar no que realmente quero. Mas, tudo tem o seu tempo. E, ainda assim, posso dizer que não me arrependo das escolhas que fiz até aqui, porque, como diz Lothian Andrade: “não sou mais quem fui ontem. E amanhã nascerei novamente”. Por isso, aquela que sou hoje não é a mesma que fui um dia e, certamente, não será a mesma que serei amanhã. Logo, naqueles momentos eu fiz as escolhas que poderia fazer e que, de certa forma, quis fazer. Tracei um caminho que é só meu e que me torna única. A minha vontade de desenvolver as minhas competências de representação e a minha paixão pelo teatro permanecem vigorosas e à espera de outras oportunidades. Mas para já, importa mencionar que sou, e sempre serei, atriz no Teatro União. Numa jornada de 22 anos, a caminho dos 23, uma palavra: gratidão.

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