Opinião - Teatro Amador – Puro Amor por Célia Baixinho

O teatro amador é praticado por pessoas que não são formadas na área e que se dedicam a esta atividade por puro prazer sem receber qualquer tributo financeiro. Normalmente, aqueles que o praticam são um grupo de amigos em que o teatro é um interesse comum. Quem faz teatro amador exerce uma atividade profissional fora do mundo do teatro onde os ensaios se encaixam no seu tempo livre. A atividade teatral faz parte dos tempos livres como um hobby que os apaixona e que os move. Muitas das vezes, são atores autodidatas que desenvolvem a sua aprendizagem com os colegas, na observação do outro. Contudo, atualmente, já há uma grande oferta de formação e workshops para não profissionais, onde se pode aperfeiçoar ou aprender novas técnicas e abordagens. A maior parte dos atores amadores, principalmente os mais jovens, já não são apenas uns meros curiosos da arte, pois procuram aprimorar a sua prestação. De um modo geral, os grupos de teatro amador estão ligados a coletividades, sociedades recreativas ou a associações culturais, promovendo o encontro dos membros da coletividade, apresentando-se como uma parte importante da comunidade que os acolhem. Na noite em que o pano sobe a população sai das suas casas para assistir a algo muito diferente das suas vidas rotineiras. Porém, é necessário salientar que é muito mais do que sair de casa, muito mais do que ir ver um espetáculo de teatro, é experienciar uma conexão humana coletiva realmente verdadeira, se houver uma abertura profunda, por parte de todos os intervenientes, para que tal aconteça. O trabalho destes grupos possui um valor artístico e estético muito próprio, sendo muito sério, nobre e desinteressado monetariamente. É feito pelo amor puro à arte e deve ser encarado como uma forma de comunicação e reflexão entre aqueles que constroem o espetáculo e os que assistem. Existem grupos com uma durabilidade pequena, mas há outros que têm uma atividade duradoura com apresentações regulares de forma continuada. A liderança forte, com objetivos claros, é o caminho para se consagrarem no tecido social onde estão integrados. Portanto, a resistência e a resiliência residem na paixão que os une. Bons espetáculos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Brun, “O Príncipe dos Humoristas Portugueses” por Célia Baixinho

O Camarim - Por Bárbara Rita Santos